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segunda-feira, 17 de dezembro de 2012



Em 1968 o grupo já havia fechado para se apresentar às sextas feiras no chamado Coff-In, local onde eram realizadas pequenas festas e que funcionava no porão de uma igreja anglicana. No repertório, seriam apresentadas canções como Gloria, do grupo Them e Satisfacton, dos Rolling Stones. Tudo correu normalmente na estréia, mas, pouco antes da segunda noite, o baixista Jeff Jones resolveu deixar o grupo. Lee, que nesse momento já havia desistido da guitarra e optado pelo baixo, foi então chamado pelo amigo Lifeson. Dessa vez não era o amplificador que Lifeson queria emprestado, e sim o baixista! Era formado assim o embrião do Rush. Os garotos foram aumentando seu repertório de covers, tocando músicas do Traffic, Cream, John Mayall's Bluesbreakers, Ten Years After e outros artistas do blues inglês até então. Com a qualidade musical sendo aperfeiçoada, o nome Rush começava a ecoar. Logo apareceram novas apresentações conseguidas pelo trabalho do jovem Ray Danniels, que já havia assumido a função de empresário do grupo. Em novembro de 1968 a banda ainda precisava pedir emprestado equipamentos para seus shows. Nesse período, um rapaz chamado Lindy Young, que era irmão de uma amiga de Alex, havia ganhado uma Gibson Firebird. Alex ficou encantado com a guitarra e persuadiu a amiga a convencer o irmão a emprestá-la. Lindy não apenas a emprestou como se ofereceu para tocar piano e algumas bases para o grupo. E isso aconteceu. Sua participação foi tão positiva que, em janeiro de 1969, o Rush fez seu primeiro show com um quarto membro.



Alex Lifeson aprofundou-se nos estudos de guitarra e, durante seis meses, em 1972, freqüentou aulas de violão clássico e flamenco. Com a ajuda de Ray Danniels, o grupo entrou no estúdio para registrar ao vivo suas melhores composições numa fita demo. Devido a um orçamento limitado, as sessões de gravação eram marcadas para altas horas da noite, quando o movimento na maioria dos estúdios era considerado fraco, tendo assim preços mais baratos - fato comum entre as estrelas do rock que ascenderam nesse período. Nessas sessões noturnas os rapazes gravaram canções como In The Mood e Working Man, entre outras. Na Toronto desse período, o que ganhava espaço nas rários era o soft rock. Como o Rush possuía uma pegada mais pesada, a demo foi relegada ao esquecimento e, infelizmente, perdida no tempo. Mesmo com todas as dificuldades, Ray Danniels não desistiu de encorajar os garotos. Convidou Vic Wilson, outro produtor artístico da área e, juntamente com ele, montou sua própria empresa de agenciamento e produção, a SRO Productions, além de um selo para lançar o material do Rush, o Moon Records. Nesse momento os integrantes do Rush já estavam mais profissionais e foram um pouco mais sofisticados em sua gravação seguinte, um single em 45 rotações com duas músicas. No lado A tínhamos uma versão para Not Fade Away, de Buddy Holly, o único cover que a banda havia gravado até então em toda sua pequena carreira. E no lado B havia You Can't Fight It, uma composição de autoria de Lee e Rutsey que já demostrava o estilo original do trio canadense. O single vendeu pouco, mas Danniels não se entregava, apostando tudo na força dos jovens músicos. A idéia da vez foi chamar David Stock, um produtor local de jingles e expert em estúdio. Começaram os trabalhos com Not Fade Away, seguindo também com as músicas que formariam o primeiro álbum oficial da banda.

O grupo não ficou feliz com o que ouviu após o término das gravações. Stock não havia conseguido captar a essência da sonoridade, deixando algumas músicas com timbres muito pobres. Com isso, o incansável Danniels não desistiu e resolveu, a partir do seu próprio bolso, a contratação de um produtor mais experiente (e mais caro). Começou então aí a relação do Rush com Terry Brown, que já havia trabalhado com bandas como Procol Harum e April Wine e, de cara, percebeu que as três primeiras músicas gravadas anteriormente com Stock apresentavam problemas e que mereciam passar por um outro processo de gravação. As outras faixas precisavam apenas de uma nova mixagem. Nesse momento, o trio descartou Not Fade Away e colocou no lugar desta uma música de sua autoria, Finding My Way. Em dois dias Terry Brown havia conseguido remixar tudo e o álbum estava completamente pronto. A gravadora London Records distribuiria o disco prensando inicialmente mil cópias. Em mais um ano de fé na banda, Ray Danniels bancou uma tiragem junto a London de 3.500 cópias. Estava tudo certo para o lançamento do disco em dezembro de 1973. Só que, por problemas econômicos que atingiram todo o mundo em decorrência da crise do petróleo, a aguardada estréia em vinil foi remarcada para janeiro de 1974. Pouco tempo depois, o Rush já abria shows em turnês de grupos como New York Dolls e ZZ Top. Muitas cópias do primeiro disco foram enviadas a gravadoras, selos, estações de rádios e produtoras de shows. Um exemplar foi parar nas mãos da DJ Donna Harper, da WMMS-FM (uma rádio de Cleveland), que passou a tocá-lo exaustivamente em sua programação. Devido à boa audiência de seu programa, Donna foi a maior responsável pela popularização do grupo canadense para o público americano. E foi lá, nos EUA, que as portas para o longo caminho de sucesso do Rush começaram a se abrir.



Em 1974, depois do lançamento do álbum de estréia do Rush, Donna Halper, uma DJ da rádio rock WMMS-FM de Cleveland (EUA), tocou pela primeira vez uma canção da jovem banda naquele país: Working Man. Assim nascia o Rush para o mundo. Um número considerável de pessoas tem perguntado sobre a história de como encontrei o Rush. Isso é algo sobre o qual não falo freqüentemente, visto que possa parecer uma atitude vaidosa ou egocêntrica. Contei a história para dois repórteres e escritores, e uma versão bem condensada surgiu. Era 1974, e eu estava sozinha em Cleveland. Não pretendo ser dramática – faz parte da história. Estava trabalhando para uma estação de rock, a WMMS-FM, que começava a se tornar o ícone do rock que seria durante muitos anos. Quando fui contratada, acho que o pessoal da rádio esperava receber uma 'garota hippie', porque era desse jeito que a maioria das mulheres desse contexto se vestia naquela época. Então, lá estava eu, longe de Boston (onde cresci), numa cidade onde não conhecia ninguém, trabalhando numa rádio onde festas eram muito comuns. Me senti totalmente deslocada quase que imediatamente: fui para Cleveland basicamente para tocar rock and roll e para ser diretora de uma rádio. Não sou festeira por natureza – na verdade sou bem tímida, a menos que esteja trabalhando. Estar no ar nunca me assustou: estar numa sala com pessoas que não conheço e ser esperada para dizer coisas inteligentes ainda me fazem ficar desconfortável. Adicione drogas dentro dessa mistura, e eu estaria REALMENTE desconfortável. Mas lá estava eu, determinada a fazer com que minha passagem pela WMMS fosse positiva. Mas vi claramente que o pessoal me achou bem estranha (uma DJ do rock que ensinava numa escola dominical não era algo normal). Por sorte, ser diretora de música era um trabalho que demandava muito tempo, então estava sempre ocupada ouvindo todos os álbuns que a WMMS me entregava todas as semanas e escolhendo os que poderia chamar a atenção da galera da rádio.





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